Andando pelas escolas de ensino fundamental e médio do
Brasil, as públicas e privadas, com pouquíssimas diferenças no comportamento
das famílias, percebi uma realidade sutil, perigosa e ilusória: Os Pais enviam
filhos sem asas para as escolas e querem que os Professores e os demais
profissionais envolvidos na educação, os ensinem a voar!
1. Os pais são a autoridade da casa!
2. Não tenha medo dos seus filhos!
3. Pais são responsáveis pela educação dos filhos!
4. Fale não para os filhos!
5. Crie uma rotina para os filhos!
6. Brinque com seus filhos!
7. Escute o que os filhos tem a dizer!
8. Use apenas a força da voz!
9. Não sobrecarregue as crianças!
10. Dê pequenas responsabilidades aos filhos!
1: Cuide da sua própria comunhão com Deus
2: Não tenha medo em discipliná-los
3: Ensine a liberdade com responsabilidade
4: Aproveite todas as oportunidades para ensinar a seus
filhos sobre o amor de Deus
5: Não seja incoerente com eles
6: O valor da obediência
7: Ensine-os a fazer boas escolhas
8: Seja o treinador, mas também o maior torcedor do seu
filho
9: A fé para vencer e permanecer
10: O temor a Deus
2. Os valores também são inculcados: Talvez não se trate
somente de educar no feminismo, mas de educar com valores sociais, como a
justiça e a igualdade de direitos.
1) Demonstrar nosso carinho
2) Ensiná-los a regular suas emoções
3) Tempo de qualidade e de quantidade
A ideia de que as crianças precisam de tempo de qualidade
com seus pais sem que a quantidade importe completamente falsa. Em minha
opinião é uma ideia criada para
aqueles pais que trabalham muitas horas e dedicam, consequentemente,
pouco tempo aos seus filhos não se sintam muito mal por isso. Por isso é
completamente falsa. As crianças precisam de muito tempo de convivência com
seus pais (quantidade) e com dedicação máxima (qualidade). Não é estar somente
no mesmo quarto e lugar que eles, mas com dedicação exclusiva (brincadeiras,
tarefas divididas, lição de casa, passatempos, etc.).
O
ser humano tem enorme facilidade de transformar desejos (o que quero)
em necessidades (o que preciso). Não é nada raro escutar comentários do tipo
“preciso me casar para ser feliz”, “é imprescindível que eu consiga viajar à
Índia” e “sem
meu café da manhã não sou ninguém”. Mesmo que nos custe a acreditar, tudo
isso são coisas das quais gozamos, mas não são necessárias à sobrevivência do
ser humano. É por isso que é importante que entendamos a diferença entre
necessidades e desejos.
Podemos dizer que as necessidades
são básicas à sobrevivência de qualquer ser humano. As necessidades estão na
base da famosa pirâmide descrita por Abraham Maslow, onde encontramos, além das
necessidades fisiológicas como a alimentação, a hidratação e o descanso, as
necessidades emocionais e afetivas. Desse tipo de necessidades falaremos com
detalhes mais adiante. Por outro lado, os desejos não são necessários à nossa
sobrevivência. Podem ser coisas que ansiamos e nos motivam, mas sua consecução
não coloca nossa vida em risco. Vejamos um exemplo. Eu
posso desejar fervorosamente ganhar a loteria. E mais, posso fantasiar e
imaginar o que faria com esse dinheiro. Mas o fato de não ganhar a loteria não
significa que minha sobrevivência esteja em risco.
Por outro lado, as necessidades que iremos detalhar a seguir
são de fato imprescindíveis a
uma boa saúde mental de nossos filhos. A seguir, iremos enumerar as 15
necessidades emocionais e afetivas de toda criança e adolescente (também
podemos incluir os adultos, evidentemente). Quanto mais ações você realizar com
seus filhos para satisfazê-las no dia a dia, melhor:
1) Demonstrar nosso carinho
Todos os dias devemos dizer a nossos filhos o
quanto os amamos, como sentimos sua falta no trabalho e como estamos
orgulhosos de como são. Isso é fundamental para uma boa autoestima. Não basta
pensá-lo, devemos dizê-lo e agir em consequência disso. Se hoje você não disse
a seu filho que o ama, tente fazer com que seja a primeira coisa a dizê-lo
quando o vir.
2) Ensiná-los a regular suas emoções
A ideia de que as crianças precisam
de tempo de qualidade com seus pais sem que a quantidade importe é falsa
Como uma pessoa se transformou em um grande cirurgião e
desempenha tão bem sua profissão? A chave está em ter um grande professor e em
muitas horas de dedicação. O mesmo acontece com a regulação emocional. As
crianças precisam que seus pais lhes ensinem a identificar e gerir suas
emoções. A partir daí tudo vai melhorando em função da experiência. O problema
ocorre quando os pais não sabem regular suas próprias emoções. Se eles não
sabem, como irão ensinar seus filhos. Dificilmente. Por isso, se você tem
alguma dificuldade em gerir suas próprias emoções, procure ajuda antes de
ensinar a seu filho. Se queremos que nossos filhos no futuro sejam capazes de
autorregular suas emoções, é imprescindível que agora que são pequenos lhes
heterorregulemos suas emoções, ou seja, que aprendam a regular suas emoções com
nossa ajuda.
3) Tempo de qualidade e de quantidade
A ideia de que as crianças precisam de tempo de qualidade
com seus pais sem que a quantidade importe
completamente falsa. Em minha opinião é uma ideia criada para
aqueles pais que trabalham muitas horas e dedicam, consequentemente,
pouco tempo aos seus filhos não se sintam muito mal por isso. Por isso é
completamente falsa. As crianças precisam de muito tempo de convivência com
seus pais (quantidade) e com dedicação máxima (qualidade). Não é estar somente
no mesmo quarto e lugar que eles, mas com dedicação exclusiva (brincadeiras,
tarefas dvididas, lição de casa, passatempos, etc.).
4) Oferecer a eles contextos de segurança e proteção
As crianças precisam de uma
estimulação suficiente e adequada. Passado esse mínimo de estimulação, não se
conseguem maiores aprendizagens
Esse é o primeiro pilar se queremos fomentar um apego seguro
em nossos filhos. Uma criança não pode se sentir segura se nunca foi
protegida. A
segurança é o contexto a partir do qual virão as próximas características do
apego seguro. Proteger nossos filhos quando sentem medo, temor, raiva e
tristeza é nossa função. Se alguma vez você não o fez, recomendo que a partir
de agora ajude e acalme seu filho sempre que ele experimentar alguma emoção
desagradável e que não saiba lidar por si só.
5) Sintonia emocional
É imprescindível que estejamos em sintonia emocional com
nossos filhos, ou seja, que atendamos, legitimemos e conectemos com as emoções
que estão experimentando. Assim, por exemplo, um pai estará em sintonia
emocional com seu filho quando, diante de uma situação concreta, este lhe
mostrar seu medo e raiva, e o pai compreender e atender o que se passa com seu
filho. Consiste em estar receptivo diante das necessidades da criança. É como
conectar por Wi-Fi nosso hemisfério direito, que é emocional, com seu hemisfério direito. Se não
o fez em um número importante de vezes, tente fazê-lo, pois
não se conectar com suas emoções e afetos tem repercussões negativas.
6) Responsividade
Quando estabelecemos limites e os
explicitamos a nossos filhos estamos dizendo a eles “eu te amo”
A responsividade é a parte que vem na sequência da conexão
emocional. Para poder ser responsivo, para não dizer responsável, precisei me
conectar emocionalmente com meu filho, se não seria impossível. A
responsividade consiste em dar à criança o que ela precisa. Não consiste em
realizar seus caprichos, mas em realizar e cobrir suas necessidades. Como
dizíamos no começo, as necessidades não são negociadas uma vez que são
imprescindíveis à sobrevivência. A mãe ou pai que é responsivo é aquele que dá
à criança aquilo que ela realmente precisa. Se diante de uma briga de nosso
filho com um amigo ele se mostra preocupado e nós lhe dizemos que não enrole
mais e vá fazer a lição de casa que é o que importa, não estamos sendo
responsivos porque não estamos atendendo sua necessidade. Costumamos ser
responsivos habitualmente com nossos filhos? Dedique alguns segundos pensando
sobre isso.
7) Assumir o papel que nos corresponde como pais
Os pais não são amigos de seus filhos. Também
não somos seus criados, mas às vezes pode parecer. Somos seus pais, e
devemos assumir o papel que isso significa. Estamos realmente exercendo o papel
de pais ou às vezes nos comportamos como colegas de nossos filhos?
8) Estabelecer limites claros
Uma das obrigações dos pais é implantar uma série de normas
e limites no contexto familiar. Nossos
filhos precisam de regras. É algo tão necessário como saudável.
Imaginam uma cidade sem semáforos e sem placas de trânsito? Não seria um
verdadeiro caos? Acontece a mesma coisa com as crianças. Precisam saber até
onde podem chegar e qual é seu perímetro de segurança. Quando estabelecemos
limites e explicitamos aos nossos filhos estamos lhes dizendo “te amo”. Coloco
limites porque te amo e me importo com você. Refletiram sobre a quantidade de
limites que existem em sua família? São muitos, poucos ou inexistentes? É
recomendável pensar sobre isso.
9) Respeitar, aceitar e valorizar
Quando respeitamos, aceitamos nossos filhos como são e os
avaliamos positivamente, estamos olhando incondicionalmente para eles.
Demonstramos que nosso amor para com eles é incondicional, ou seja, não depende
de nada. Amamos os filhos por quem eles são e não pelo que fazem e deixam de
fazer. Estamos olhando nossos filhos incondicionalmente ou nosso amor para com
eles depende de algo (resultados acadêmicos, comportamento, atitude, etc.)?
10) Estimulação suficiente e adequada
Há alguns anos, ficou em moda a hiperestimulação das
crianças. Levávamos os jovens de um lugar a outro para “espremê-los” ao máximo cognitivamente
falando. Precisávamos aproveitar o tempo e a plasticidade cerebral antes que
essas janelas se fechassem. Hoje em dia sabemos que as crianças precisam de uma
estimulação suficiente e adequada. Passado esse mínimo de estimulação, não se
conseguem maiores aprendizagens, mas exatamente o contrário: exigências,
estresse e hiperestimulação. O
slogan que diz que quanto antes e mais estimularmos nossos filhos, melhor, é
falso. Os pais devem repensar como enfocar, por exemplo, as atividades
extraescolares de nossos filhos? Certamente sim.
11) Favorecer sua autonomia
Dizíamos antes que a primeira característica do apego seguro
era a proteção. Pois bem, a outra face da moeda da proteção e segurança
consiste em favorecer a autonomia, o que é a mesma coisa, favorecer sua
curiosidade e seu espírito aventureiro e explorador. Viemos a esse mundo com a
emoção da curiosidade no kit de sobrevivência, o que nos faz ter muita vontade
de aprender coisas novas. É de vital importância, não só que achemos bom que
nossos filhos sejam curiosos, mas que os convidemos a fazê-lo.
12) Sentido de pertencimento
Para o ser humano e para muitos outros mamíferos é de vital
importância sentir-se parte de um grupo. Já viram nos documentários de quais
são os lugares que os filhotes mais jovens ocupam? Geralmente costumam ir no
centro, ou seja, no lugar de maior segurança e proteção. Daí vem a importância
do grupo e da manada. O fato de nos sentir parte de um grupo ou de vários
aumenta as probabilidades de sobrevivência. Uma
das características que as crianças que sofrem assédio escolar costumam ter é não
pertencer a nenhum grupo. É muito importante que nossos filhos pertençam,
no mínimo, de um grupo, senão de mais. Estamos fazendo um bom trabalho como
pais para favorecer o âmbito social de nossos filhos? Esse âmbito é tão
importante quanto o acadêmico, não? Se concordamos, dou como certo que nunca
castigamos os resultados acadêmicos ruins com não sair com os amigos e ir aos
jogos de futebol, não?
13) Favorecer a capacidade reflexiva da criança
A capacidade reflexiva se refere a pensar sobre o que nos acontece,
como estamos fazendo, como nos sentimos, nossa evolução e progressos, etc. É
importante que ajudemos nossos filhos a aprender a pensar sobre as emoções que
sentem, o que pensam, como se comportam, etc. Também é um trabalho muito
interessante para nós como adultos.
14) Identidade
Ao longo dos
primeiros meses e anos de vida, ocorre um processo de diferenciação entre o
bebê/criança e a mãe, já que no começo o pequeno não o faz. Com o passar do
tempo devemos favorecer nas crianças essa identidade própria que nos diferencia
do restante das pessoas.
15) Magia
A
magia é um dos mecanismos de defesa mais fortes que as crianças têm. Os
adultos costumam chamar de autoengano. Tudo o que tem a ver com a magia, o
oculto, o divino e o fantasioso é algo que cativa todas as crianças. O que um
mistério significa é algo que “encanta” as crianças. Aprendemos a utilizar e a
colocar do nosso lado a magia e a fantasia.
Não é minha intenção fazer com que algum pai ou mãe se sinta
mal. Exatamente o contrário. Espero que essas 15 necessidades básicas sirvam
para que vocês vejam o que nossos filhos realmente precisam. Espero que sirva para
refletir sobre o ponto em que estamos e de que forma estamos assumindo o papel
de pais. Com certeza estamos desempenhando-o bem, mas um pouco de reflexão não
é má ideia.
Rafael Guerrero Tomás é diretor do Darwin Psicólogos,
especialista em transtorno por Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH),
transtornos da aprendizagem e transtornos de conduta, e doutor em Educação
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