quinta-feira, 9 de junho de 2022

ALUNOS DA E.J.A. PRECISAM de MOTIVOS REAIS – (Síntese da Palestra) Múcio Morais

 

(Este artigo é uma síntese da Palestra com o mesmo título com o Prof. Múcio Morais). Há Poucos dias estava em um evento escolar com a turma da E.J.A (Educação de Jovens e Adultos) Fiz um ciclo de palestras tratando de diversas questões deste programa fantástico, a primeira noite, utilizamos todo horário com os professores e equipe de apoio da E.J.A naquela escola, aproveitaram e convidaram professores e diretoria de outra escola vizinha, falamos do lado prático do programa, levantamos diversas questões voltadas para a gestão e ao final elaboramos um plano de ações e mudanças que serão implementadas ao longo de algumas semanas, estarei acompanhando e assessorando estas mudanças. Neste “Caderno de Ações” estão 20 Ações imediatas, e mais 10 Ações a médio e longo prazo, dentre elas:

1.  A Criação de um comitê de alunos e professores para orientar ações; este comitê não substitui a autoridade escolar, é apenas um comitê de organização e fiscalização das ações propostas;
2.      Programa de envolvimento da sociedade empresarial da região no projeto E.J.A
2.1   A Criação de um cadastro de empresas, funções disponíveis em cada uma, perfis profissionais, compromisso de envio à escola de vagas disponíveis, inclusive temporárias;
2.2   Neste Cadastro, dados importantes que permitam aquela empresa atuar na vida escolar prestando serviços e know-how em áreas técnicas;
2.3   Apoio financeiro para workshops profissionalizantes;
3.   Parceria com o Sistema “S” para palestras, workshops profissionalizantes e, comunicação de programas de educação profissional à escola;
              3.1 Parceria técnica com SENAI, SENAC, ONGs voltadas para profissionalização;
4.      Cadastro Profissional de todos os alunos da E.J.A sendo autorizada a disponibilização para empresas em busca de funcionários;
4.1   Integração com Agências de RH; Sine e outros;
5. Programa Antidrogas em parceria com comunidades terapêuticas, disponibilizando palestrantes, profissionais do setor e vagas para possíveis dependentes entre os alunos no seu círculo familiar;
6.      Ampliação territorial da abrangência destas ações;
               6.1 Áreas com maior desenvolvimento econômico, maiores possibilidades;
                                  6.2 Empresas de maior porte e importância econômica;  
7.  Com voluntários convidados, um programa de saúde mental e emocional para alunos da E.J.A
    7.1 Com convite à profissionais do setor ao voluntariado;
8.  Promover direcionado ao público E.J.A oportunidade de conhecer empreendedores de sucesso com testemunhos na escola;
8.1 Depoimentos de Pais, Professores, Profissionais de diversos setores e empresários;
 ... e mais 15 ações para o desenvolvimento e atendimento do Programa!
Mas...

Constatei conversando com alunos e professores, que coisas muito básicas são ignoradas, comportamentos simples mas que fazem a diferença; Um desânimo quanto a própria continuidade no E.J.A é bem comum em muitos alunos, escutei coisas do tipo: “Pois é, estou aqui até ver no que vai dar” isso equivale a dizer: Estou sentado no meio do incêndio para ver o que acontece, é claro que se os bombeiros chegarem a tempo, você se salva, mas se isso não acontecer, então... 

N


ada na vida pode ser administrado desta forma, em especial a oportunidade de recomeçar os estudos; Isso tem que ter um porque, um objetivo, uma razão, um motivo, uma ou mais metas!

                                                                                                                                                                Quero ajudar você que está neste programa à entender em grande parte o que se passa com você, desânimo, preguiça, sensação de estar farto, cheio, cansado, uma certa desesperança, algumas perguntas sem resposta, o insucesso de outros que vieram antes de você, e por ai vai, alunos do E.J.A são verdadeiros heróis, geralmente enfrentam muita oposição, começando consigo mesmo.

Como melhorar ou acabar com muitos desses sentimentos que sabotam sua vida escolar? Então...

SAIBA O QUE ESTÁ PROCURANDO, TENHA UM OBJETIVO FIXO, DEFINIDO!

Todos nós conhecemos pessoas que correm atrás do vento, pessoas que vivem cada dia como se estivessem de férias, não se comprometem, não se entregam e não se pode contar com elas para nada. Alguns de nós estamos assim na E.J.A, não sabemos o porque bem mesmo onde queremos chegar, apenas estou aqui! Saiba que a falta de uma meta” bem definida é a causa da derrota de milhões de pessoas e empreendimentos, não saber onde se quer chegar é andar sem rumo, fazendo zig zag pela estrada e o final pode ser um desastre.

Tenha SUA META, o que quer fazer, como vai fazer, os passos que precisa dar, entenda porque que é importante definir metas:

Manter o seu foco, suas metas vão te ajudar a manter o foco. Se você precisa conquistar algo, toda sua dedicação precisa ser direcionada a isso. Você se tornará “teimoso e insistente” será notado pelas pessoas, até mesmo criticado, zoado, mas não importa, mantenha o foco e não saia dele.

Você não pode permitir que o cansaço, excesso de compromissos e outros fatores, tirem seu foco e te transforme numa vítima, um coitadinho da vida, mas, uma coisa é essencial para que isso aconteça, chama-se P L A N E J A M E N T O.

E o que é P L A N E J A M E N T O?

Planejamento são ações, um passo a passo, a definição de cada etapa para atingir sua META, se por exemplo sua META for se tronar um professor, ótima escolha, então, à partir de onde agora, o que você precisa fazer? Defina cada passo, quando vai fazer, quanto vai terminar e passar para o próximo, e, acredite, o tempo vai passar se você fizer ou não, então escolha fazer para não se lamentar depois.

APRENDA A DOMINAR SUAS EMOÇÕES, isso mesmo, as nossas emoções são responsáveis pela maior parte de nossos fracassos, permitimos que a tristeza, frustração, dúvidas e medo entrem em nossa mente e assim estes sentimentos passam a nos dominar, desta forma é que nos tronamos fracos e deixamos as coisas pela metade. Aprenda a dizer não a estes sentimentos, domine sua mente e assuma o controle de sua vida, gente dominada e controlada pelas emoções não se dão bem em nada. Aprenda a ser forte e a sobreviver.

MUDE SUA POSTURA, alguns de nós temos uma postura de perdedor, não acreditamos em nós mesmos, reclamamos demais da vida e dos outros, esperamos do governo, dos pais, dos patrões, e, na verdade, temos que esperar de nós mesmos. A pessoa mais disposta a fazer algo por você tem que ser você! Levante a cabeça e resolva ser um vencedor.

APRENDA COM OS ERROS, À sua volta está cheia de pessoas que poderiam ter uma vida melhor, ser mais úteis ao País e a sua comunidade e família, mas escolheram perder, choramingar pelos cantos e hoje vivem do “Quase”, isso mesmo, quase fui professor, quase fui dentista, quase comprei um caminhão, quase tive uma lanchonete, quase, quase, quase... Aprenda com os erros dos outros, eles desistiram cedo demais, e você?

APROXIMAR-SE DE GENTE QUE QUER VENCER, um dos erros básicos dos alunos da E.J.A é se aproximarem de colegas que não querem nada, não estão evoluindo e nem sabem direito porque estão lá, falam demais, brincam demais, e, possivelmente serão pessoas muito frustradas daqui algum tempo, irão olhar pra trás e perceber que perderam seu precioso tempo, jogaram fora a oportunidade, e agora? Afaste-se de colegas assim, eles não vão te ajudar em nada, pelo contrário, som irão tirar seu foco.

APROXIMAR-SE DE PESSOAS QUE TEM OBJETIVO E FOCO, aprenda com estas pessoas, em alguns anos elas serão pessoas realizadas e terão uma vida que você gostaria de ter. Tive um colega muito inteligente na escola, era bonitão, conquistava as meninas, mas bem malandro, usava drogas, vivia em festinhas, nada que parecia grave, mas ele não tinha foco, os anos se passaram ele se tornou um vendedor, mas o vício o acompanhou, ele na verdade queria outra profissão, vendedor era algo que fazia por falta de opção, era infeliz no que fazia, seu sonho era ser engenheiro,  mas não estudou, não levou nada a sério quando teve a oportunidade. Na sua vida não conseguia deslanchar e ter resultados, sempre triste e reclamando de tudo, depressivo, amargurado, nada parecido com o “bonitão da escola”, frustrado com sua vida ele se matou, deixou esposa e três filhos e em sua carta final ele disse: Me perdoem, Eu sou um fracasso.

PENSE EM SI MESMO DAQUI A DEZ ANOS, COMO GOSTARIA DE ESTAR? Entenda que suas decisões a atitudes de hoje é o que farão diferença em seu futuro próximo.

AMADUREÇA, A FASE DE CRIANÇA PASSOU, A maior parte das crianças são resistentes à escola, levam tempo para se adaptarem, choram, não querem ir a aula, lutam com os deveres de casa, trazem muita tribulação aos Pais nos primeiros anos, mas, acredite, muitos adolescentes e adultos agem da mesma forma, HORA DE CRESCER AMIGO, deixar as coisas de criança e assumir atitude de adulto. se a vida está difícil para você, é assim mesmo, se esforce mais então. Não espere piedade dos outros, corra atrás, engula o choro e não peça pra sair. 

APRENDA A SER ESCOLHIDO PELO ESFORÇO, LUTA, FORÇA, SABEDORIA, PERSEVERANÇA E CAPACIDADE, NÃO POR PIEDADE;  Conquiste o respeito das pessoas e não a pena, seja imprescindível e necessário, faça diferença, contribua de alguma maneira. 

TORNE-SE UM ESTUDANTE E NÃO UM ALUNO, Aprenda a estudar, a ler, assistir documentários, procurar conhecimento, expandir seu nível cultural, isso te favorecerá nos momentos em que precisar melhorar sua posição no mercado, muitos de nós nascemos em lares com baixíssima cultura e somos gratos pelos nossos Pais, mas vivemos numa sociedade onde o sucesso profissional e mesmo na vida também dependem de nosso desenvolvimento cultura e intelectual. Conversa de botequim não dá futuro, acredite!

DESENVOLVA SUA ESPIRITUALIDADE, Estamos aqui de passagem, a vida é muito curta e preciosa, todos nós temos uma ou mais missões a cumprir aqui, não estou falando de religião, mas, entre as missões estão: crescer como ser humano, fazer o bem ao próximo, especialmente no meio onde você vive, agir com honestidade, dignidade e amor, aprender humildade, aprender o valor real das coisas, descobrir que viemos sem nada e retornaremos sem nada, portando as riquezas não têm muito significado, somos o que somos não o que temos. Esta espiritualidade aprendida vai lhe trazer paz, saúde, bem estar, boa convivência em todos os meios, e, destacar você como ser humano.

Então, ficam ai alguns conselhos aos heróis da E.J.A, alunos e professores que militam diariamente contra os trilhos desviados, os troncos interditando as estradas, as tempestades impedindo os voos. Gente forte, que percebeu a vida passando e decidiu correr atrás dela até alcançar. Espero sinceramente que meus conselhos possam ajuda-los nessa missão!

Tenham a vida que merecem, uma ótima vida, espero!

Múcio Morais

PALESTRAS E WORKSHOPS PARA EJA (Educação de Jovens e Adultos); Projeto de implementação de Inteligência EJA, Motivação, Inspiração e Direção para alunos e professores do EJA; fone/WhatsApp:  (031) 99389-7951 - e-mail: contato@muciomorais.com 

quarta-feira, 8 de junho de 2022

O PERFIL E OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELOS ALUNOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA

O PERFIL E OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELOS ALUNOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS– EJA 

RESUMO Este artigo objetiva identificar o perfil e dificuldades que os alunos da EJA enfrentam até a conclusão do curso básico, sendo realizado pela pesquisa bibliográfica qualitativa e documental, tendo como instrumentos de base dados coletados em livros, artigos e documentos oficiais. Na perspectiva contextual, a discussão do tema abordado se apóia em teóricos como Engels, Marx e autores como Di Pierro, Freire, entre outros, que proporcionaram valiosa contribuição à fundamentação teórica, indo da história às dificuldades enfrentadas pela clientela no âmbito educacional. A EJA sendo uma modalidade que compõe a educação básica, os alunos advém de classes sociais distintas, possuem características peculiares que os difere dos demais, precisando de oportunidades de desenvolvimento conforme as capacidades e competências, exigindo da escola um posicionamento crítico na aquisição proposta para a finalidade do ensino. Ressalta-se que, nesta modalidade o aprender precisa ser significativo à vida dos alunos, onde práticas estigmatizadas dificultam o procedimento em socialização e desenvolvimento na construção do saber. Os resultados sugerem a relevância da existência de políticas públicas e educacionais eficazes com oportunidades múltiplas em efetiva educação a todos que estão à margem do saber, reduzindo o índice de analfabetismo, enfim, é preciso haver maior investimento em relação a esta etapa educacional, aos métodos utilizados na alfabetização e na visão dos alfabetizadores no desempenho educacional. 

Palavras-Chave: Educação. Jovens. Adultos. Perfil. Aprendizagem. Desenvolvimento. 

1. INTRODUÇÃO A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma oportunidade de concluir os estudos em tempo hábil e sendo modalidade amparada em leis possui como foco o atendimento as pessoas que não tiveram oportunidade de ingressar no ensino regular em idade normal. O estudo aborda “O perfil e os desafios enfrentados pelos alunos da Educação de Jovens e Adultos” e se torna um assunto que, embora amplamente discutido na sociedade e educação, precisa de maiores investimentos em políticas públicas e educacionais eficazes para criar e legitimar o acesso e valorização dessa modalidade. 

Contemplando ainda a oportunidade de adquirir conhecimentos de como ocorrem a formação da população trabalhadora e ausência de instrução que influenciam ao desempenho dos alunos da EJA, população essa formada por pessoas advindas de culturas e classes sociais diversificadas por não conseguirem conclusão dos estudos em idade apropriada. 

A EJA impõe um novo modo de repensar o papel do Estado em implantar políticas públicas e educacionais condizentes às necessidades da clientela, ofertando propostas de inclusão social e metodologias agregadas à realidade das escolas, pois, esse público se encontra fora do ambiente escolar há bastante tempo e a escolarização possibilita um diferencial no mercado numa possível ascensão social. 

3 Os estudantes da EJA possuem características distintas, dentre as quais se encontra a expressão linguística utilizada na comunicação, sendo importante a escola valorizar as formas expressivas, porém precisa oportunizar a reflexão para que entendam a diferença entre a fala e a escrita. Os “erros” que ocorrem no ato comunicativo devem ser interpretados e explorados, intermediados por atividades e diálogos constantes demonstrando que, apesar das variáveis linguísticas serem aceitas o domínio da língua culta é imprescindível, implicando eficácia no envolvimento em sociedade. 

Mediante as reflexões, o artigo objetiva identificar o perfil e dificuldades enfrentadas por alunos da EJA até a conclusão do curso básico. A metodologia de pesquisa utilizada para construção do texto foi a pesquisa bibliográfica qualitativa e documental, tendo como instrumento de base dados coletados em livros, artigos e documentos oficiais sobre a temática. Para discussão do tema se instaurou abordagens de teóricos como Engels, Marx e autores como Di Pierro, Freire, entre outros proporcionando valiosa contribuição na fundamentação teórica. E, após o desenvolvimento concluído, chegou-se a conclusão resultando na produção do texto. 

2. REFERENCIAL TEÓRICO 

2.1. BREVE CONTEXTO HISTÓRICO DA EJA A EJA, reconhecida como direito desde os anos 30, obteve relevância com o advento da campanha de alfabetização nas décadas de 40 e 50, prosseguindo mediante “Movimentos de cultura populares dos anos 60 com a chegada do Mobral, ensino supletivo dos governos militares e a fundação Educar” (HADDAD, 2000, p. 111) Relata Di Pierro (2008) que, na história do Brasil entre a década de 1950 e 1960, o ensino passou por retrocessos e avanços que resultaram em campanhas de movimentos em favor da educação popular, intencionando alfabetizar em massa e erradicar o analfabetismo. E, na ausência de interesse político para com a modalidade, acabou por permanecer à margem do ensino por anos. 

Em 1960, o Governo Federal desenvolveu ações indutoras de políticas voltadas para a área educacional, mediado pela criação de serviços e da Campanha de Educação para Adolescentes e Adultos, descrita por Lourenço (2002), como recurso significativo em mobilizar da opinião pública, criar a infraestrutura de Estados e Municípios. A primeira Campanha Nacional que atendia essa modalidade preparada pela Associação do Ensino Noturno (AEN) e Departamento de Educação (DE), pertencente ao Distrito Federal e pelo Primeiro Congresso Nacional de Educação de Adultos intencionava investir na educação como solução ao analfabetismo. Deste modo se tornou uma concepção que parece ter inspirado os demais princípios da campanha expressa na frase: ensinar jovens e a adultos era mais fácil, mais rápido e mais simples do que ensinar crianças e, “Se qualquer pessoa podia desempenhar essa função, não seria necessário formar e qualificar um profissional específico para tal” (SOARES, 1996, p. 30). Mais adiante, em 1963, o Ministério de Educação encerrou a Campanha Nacional de Educação de Adultos (CNEA) iniciada anteriormente e, em 1947 foi delegado a Paulo Freire a elaboração de um Programa Nacional de Alfabetização (PNA) como solução em alcance do analfabeto em seu universo comunitário. Entretanto, Freire se tornou referência de um moderno paradigma pedagógico, denunciando a superficialidade dos programas, inadequação do método e a diversidade das regiões brasileiras e, a proposta acabou por ser engavetada. 

Movimentos ocorridos em favor da EJA embora contribuam ao desenvolvimento do País provaram que os objetivos de ensino não foram propostos na íntegra, surtindo na urgência de outra conjuntura que modifique o caráter das iniciativas públicas com relação a modalidade. Por volta de 1970, o Programa de Alfabetização surgiu como “[...] Fruto do trabalho realizado por um grupo interministerial, que buscou uma alternativa ao trabalho” (HADDAD, 2000, p. 114) direcionando benefícios externos educacionais com métodos pedagógicos a serem utilizados em âmbito educativo. 

A instauração da Lei nº 5.692/71 (BRASIL, 1971) do Ensino Supletivo, conforme Haddad (2000), elaborada por Valnir Chagas, conselheiro do extinto Conselho Federal de Educação mediante o Parecer Nº 699/72 veio a estabelecer um paralelismo com o aparelho ideológico de ensino, substituindo os exames por cursos. E, em 1974, foram instituídos Centros de Estudos Supletivos (CES) com a funcionalidade de relacionar características básicas da modalidade, firmando rapidez na instalação, custo e emprego de metodologias adequadas norteando a modalidade em dois eixos, o MOBRAL com ênfase na alfabetização e o supletivo em atendimento aos considerados excluídos do Ensino Fundamental e Médio. 

Nos anos 80, iniciou-se a abertura política oferecendo autonomia para o MOBRAL, desdobrando as turmas em alfabetização e pós-alfabetização, sendo extinto em 1985 quando se aproximava a Nova República. Foi criado em substituição a Fundação EDUCAR que apresentava objetivos mais democráticos, contudo, com pouco investimento financeiro. No decorrer da história, o Decreto nº 97.219/88 revogado pelo Decreto nº 99.519/90 (BRASIL, 1990) favoreceu a instituição da Comissão Nacional do Ano Internacional da Alfabetização e Cidadania (CNAIA) que, composto por Freire e posteriormente por José Eustáquio Romão, responsáveis em coordenar na nação atividades preparatórias para o Ano Internacional de Alfabetização, indicavam reflexões relacionada a relevância da modalidade. 

Em agosto de 1994 ocorreu a Conferência Nacional de Educação para Todos, culminando em dois documentos, a saber, o Acordo Nacional e o Pacto pela Valorização do Magistério e Qualidade da Educação Básica (HADDAD, 2000). Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 2015) a EJA incluída na educação básica passou a atuar em prol da formação populacional envolvendo jovens e adultos sem acesso e/ou sucesso no Ensino Fundamental e/ou Ensino Médio na faixa etária apropriada. O Parecer 11/2000 e a Resolução 1/2000 (BRASIL, 2000) causou inovações, fixando Diretrizes Curriculares Nacionais com intenção de regulamentar aspectos 6 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, como a idade mínima para ingresso que passou a ser de 15 anos na etapa do Ensino Fundamental e 17 no Ensino Médio. A Lei 10.172/2001 (BRASIL, 2001) que aprovou o Plano Nacional de Educação (PNE) sancionado pela Lei nº 13.005/2014 (BRASIL, 2014) definiu metas prioritárias na área educacional a ser alcançada até o ano de 2024 e determina: Elevar a taxa de alfabetização da população com quinze anos [...] até o final da vigência deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em cinquenta por cento a taxa de analfabetismo funcional. Oferecer, no mínimo, vinte e cinco por cento das matrículas de educação de jovens e adultos, nos ensinos fundamental e médio, na forma integrada à educação profissional (BRASIL, 2014, p. 34). 

As metas descritas no Plano Nacional de Educação contemplam melhoria da EJA, com estratégias em atendimento as necessidades populacionais em busca de reduzir o analfabetismo. Mais adiante, o Parecer CNE/CEB Nº 11/2000 (BRASIL, 2000) ocupou-se na elaboração das Diretrizes Curriculares Nacionais com proposta prática na modalidade. E, por fim, a Resolução CNE/CEB Nº 3/2010 (BRASIL, 2010), instituiu Diretrizes Operacionais relativas à duração dos cursos, com idade mínima para ingresso, certificação nos exames e o desenvolvimento também por intermédio da Educação a Distância. 

2.2. CONCEPÇÕES BÁSICAS DA EJA Conforme Freire (1979), a Alfabetização de Jovens e Adultos precisa ocorrer dentro do contexto cultural, considerando o aluno como sujeito construtor da aprendizagem, numa visão menos ideológica, sem se apoiar nas relações que o determina ou influencia. A proposta educacional exposta pelo autor se embasa em aspectos primordiais como, concepções metodológicas, respeito ao educando, diálogo constante e desenvolvimento da criticidade, no qual afirma ser preciso empregar palavras e temas geradores retirados do cotidiano das pessoas, sendo que esses significados produzem impacto no grupo envolvido, pelo motivo de fazer parte de sua existência.

Numa concepção humanista, o referido autor menciona que, ocorre a necessidade do professor se desgarrar do modo tradicional de ensino, oferecendo atividades embasadas em aprendizagens e valorização dos saberes. A harmonia no âmbito escolar ocorre quando os alunos podem expor sem decepção ou medo os saberes e, junto ao professor se tornarem parceiros no processo ensino e aprendizagem, numa relação agradável rumo ao conhecimento, ensinando e aprendendo entender o meio que vivem. 

Freire (2000) relata que o ensino coerente e significativo favorece a formação global do sujeito, tornando a escola num momento de preparação da vida. Deste modo, a formação em valores instaurada na proposta política norteada pela pedagogia progressista libertadora, considera a educação como estrutura fundamental na construção social, por atuar a favor da igualdade, com respeito ao “Direito de ir e vir, do direito de comer, de vestir, de dizer a palavra, de amar, de escolher, de estudar, de trabalhar. Do direito de crer e de não crer, do direito à segurança e à paz” (FREIRE, 2000, p. 59). 

Na modalidade em EJA, o educar precisa ser considerado uma atividade onde alunos e professores, mediados pela realidade aprendam e retirem conteúdo de sua aprendizagem, vindo a tomarem consciência de suas ações, cuja finalidade atua em busca da transformação social coletiva. A escola em atendimento a essa modalidade precisa ser entendida como prática da liberdade e espaço transmissor de informações que favoreçam ao indivíduo a formação do senso crítico, levando-o a entender, reivindicar e transformar-se conforme conhecimentos adquiridos. 

Os alunos da EJA embora marginalizados, muitas vezes não procuram a escola apenas para finalizar os estudos ou resgatar o tempo de escolarização perdida. Mas, consideram-na como espaço de socialização, lazer e vivência de novas experiências, encontro com outras pessoas, momento de aprender conviver com a heterogeneidade envolvendo culturas, gêneros, ritmos de socialização, responsabilidades cotidianas e aprendizagens. 

Marx e Engels (2011) relata que os homens precisam comer, beber, morar, vestir-se e demais assessórios que os amparam em sua sobrevivência e, na satisfação das necessidades, a aprendizagem produzida é fundamental à sobrevivência e continuidade da sua história. Descrevem assim que, relações sociais iniciadas no âmbito familiar expandem-se na sociedade, resultando numa educação adaptada ao período histórico que vive. Marx5 e Engels6 foram filósofos socialistas que, no momento histórico vivenciado criticavam o capitalismo, definindo a luta de classes como força motriz da história humana. Suas concepções ocasionaram impacto na educação, oportunizando entendê-la na ótica social, onde as pessoas precisam reunir forças em alcance de oportunidades igualitárias como direito, para não ser massacradas pelo sistema que as escraviza. 

Em contribuição ao desenvolvimento dos alunos, a EJA deve oportunizar acesso a conhecimentos significativos, cuja modalidade precisa atuar em constituição de cidadãos críticos, capazes em modificar o contexto que vivem numa luta constante contra a hegemonia. A educação pública precisa caminhar rumo à emancipação dos homens, tendo sua constituição como indivíduo atuante, porém, mudanças educacionais só podem ocorrer quando há contradição entre oprimido e opressor, prevalecendo o livre arbítrio no exercício da práxis7 . Por conseguinte, a superação da concepção de desumanização dos indivíduos somente ocorrerá baseada na construção de uma pedagogia apoiada nos ideais libertadores e, construída apoiada na realidade concreta, ocasionando numa proposta onde o educador busque a superação da educação bancária8 do ensino tradicional. Muito embora Snyders (2005), com base na pedagogia progressista9 menciona a necessidade em levar o aluno ao conhecimento científico, possibilitando o 4 “O suceder-se de gerações distintas, em que cada uma delas explora os materiais, os capitais e as forças de produção a ela transmitidas pelas gerações anteriores” [...] (MARX; ENGELS, 2007, p. 40). 5Karl Marx (1818–1883), filósofo e revolucionário socialista alemão. Criou as bases da doutrina comunista, criticou o capitalismo. 

A filosofia influenciou áreas do conhecimento como, Sociologia, Política, entre outras (Disp. em: https://www.ebiografia.com/karl_marx/. Acesso em: 03.10.2017). 6Friedrich Engels (1820-1895), importante filósofo alemão que junto a Marx criou o marxismo, socialismo científico (Disp. em: https://www.suapesquisa.com/biografias/engels.htm. Acesso em: 03.10.2017). 7 “[...] Reflexão e ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo” (FREIRE, 1983, p. 40). 8Os indivíduos são como “vasilhas” ou “recipientes” a ser “preenchidos” pelo ensino e educação. 9Considerada instrumento de luta ao lado de outras práticas sociais. Manifesta as tendências: tendência libertadora; libertária; e crítico-social dos conteúdos (Disp. em: http://www.obrasill.com/educacao/geral/pedagogia-progressista-e-suastendencias. Acesso em: 03.10.2017). 9 desenvolvimento em posse do conhecimento acumulado no decorrer da história da humanidade10, na EJA é imprescindível a satisfação das necessidades do discente de forma antiautoritária despertando contentamento em estudar, incidindo na possibilidade de alcance e transformação da escola de forma unificada, tornando-a num local preparatório possível de satisfazer aspirações culturais e intelectuais. 

2.3. A LEGISLAÇÃO EDUCACIONAL DA EJA A Constituição Federal (BRASIL, 2012) definiu acesso ao ensino obrigatório e gratuito como direito público subjetivo independente da idade, ampliando o dever do Estado para com todos sem escolarização completa. Sob esses princípios políticos, sociais e econômicos a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (BRASIL, 2015) regulamentou os dispositivos da Emenda relacionada ao supletivo, desconsiderando a necessidade de formação especializada do professor atuante nesta etapa de ensino. Com o advento do Plano Nacional de Educação (BRASIL, 2014), mediante aos resultados gerados em discussões realizadas nas diferentes instâncias organizativas em todo o país sobre o analfabetismo, sinalizou a necessidade de “[...] Uma tomada de consciência quanto ao que significa, para um ser humano, chegar a um novo século, onde ciência e tecnologia organizam novas linguagens, novas formas de relações sociais e de participação no mundo” (II CONED, 1997, p. 50). A Resolução do Conselho Nacional de Educação (BRASIL, 2000), no artigo 1º instituiu Diretrizes Curriculares Nacionais com ofertas, estruturas nos componentes curriculares em instituições próprias e integrantes da organização educacional, as quais devem atender conforme o caráter próprio da modalidade. E, reafirmada no Parecer CNE/CEB nº 11/2000 (BRASIL, 2000), a Educação de Jovens e Adultos se torna uma modalidade que compõe a educação básica e deve receber tratamento adequado. A legalidade contempla também na instauração de melhorias instituídas Resolução nº 3/2010 (BRASIL, 2010), com diretrizes operacionais relacionadas à 10 “São os trabalhadores que reivindicam, para os seus filhos, uma escola realmente aberta a todos, a sensibilidade às injustiças da escola agudiza-se paralelamente com a convicção de que é possível uma outra sociedade”. (SNYDERS, 2005, p. 104). 10 EJA concernentes a duração do curso e idade para ingressantes. 

2.4. PERFIL DOS ALUNOS DA EJA Arroyo (2005) menciona que, os sujeitos que compõem a EJA são “Jovens e adultos com rosto, com histórias, com cor, com trajetórias sócio-étnico-racial, do campo e da periferia” (p. 22). Logo, a escola precisa atuar como espaço de reflexões, com ações acessíveis aos conhecimentos, respeitando as diversidades e oferecendo oportunidades múltiplas de desempenho consoante as capacidades e individualidades. 

       __Conforme o Parecer CNE/CEB nº 11/2000 (BRASIL, 2000), estudantes em EJA possui um perfil caracterizado por “Adultos ou jovens adultos, via de regra mais pobres e com escolaridade defasada. Estudantes que aspiram a trabalhar, trabalhadores que precisam estudar” (p. 9). Esses sujeitos, homens e mulheres trabalhadores, desempregados, marginalizados sem oportunidade de estudo no tempo certo carregam consigo insegurança relacionada ao futuro. Tendo como referência a pluralidade sociocultural, alguns nunca frequentaram a escola, outros, precisaram afastar-se quando crianças devido à entrada precoce no mercado de trabalho ou até mesmo carência de escolas, ultrapassando assim a idade normal para estudar no turno diurno. Com a trajetória escolar interrompida, esta modalidade torna-se uma opção, além de direito constitucional. 

Analisando o perfil desses alunos, é importante lembrar que o analfabetismo se torna um desafio à educação na atualidade, conforme descrito na tabela: TAXA DE ANALFABETISMO DAS PESSOAS DE 15 ANOS OU MAIS DE IDADE, POR SEXO - BRASIL - 2007/2015. Por sexo 2007 2008 2009 2011 2012 2013 2014 2015 Total 10,1 10 9,7 8,6 8,7 8,5 8,3 8 Homens 10,4 10,2 9,8 8,8 9 8,8 8,6 8,3 Mulheres 9,9 9,8 9,6 8,4 8,4 8,2 7,9 7,7 Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2007/2015. Disponível em: . Acesso em: 04.10.2017. 11 

A tabela demonstra a realidade da EJA no Brasil, cujo índice com pessoas de 15 anos ou mais ainda se encontram à margem do saber. Porém um dos aspectos relevantes se torna a evolução da taxa em analfabetismo por indivíduos de 15 anos ou mais de idade, onde se observa ter ocorrido a queda de 2,1 pontos percentuais nos últimos nove anos, reduzindo a dimensão de pessoas que não sabiam ler nem escrever de 10,1%, em 2007, para 8,0% em 2015. 2.4.1. 

Principais Desafios Enfrentados Pelos Alunos da EJA

No cotidiano escolar muitos são os desafios enfrentados pelos alunos da EJA na busca por um ensino com qualidade, como exemplo, a diversidade cultural, a diferença de idades entre os alunos, equacionando dificuldades de estabelecerem boas relações, a superação do analfabetismo digital, o cansaço, a formação profissional para atuarem na EJA, pouco tempo para dedicação aos estudos, metodologias utilizadas, comumente inadequadas que acabam por impedir ao aprendizado. Expõe Freire (2000) que a aprendizagem é fundamental por proporcionar oportunidades expressivas e individuais, atuando como parte integrante de um projeto amplo e com possibilidades. Nessa perspectiva, ao favorecer continuidade a um projeto em aprendizagem, a escola precisa atuar em alcance de um objetivo estruturado na realidade vivencial do aluno, enfim, precisa trabalhar com conteúdos significativos embasados em temas conectados a realidade social como, desemprego, saúde economia, trabalho, política e outros. 

Outro desafio a ser considerado são as disciplinas trabalhadas na modalidade em EJA que, na maioria das vezes se prendem somente a leitura e escrita, operações matemáticas, entre outros. A alteração dessa realidade consiste no fato do professor trabalhar com palavras conhecidas do cotidiano favorece o desenvolvimento na alfabetização e na concepção da consciência crítica (FREIRE, 1979). Entretanto, o aluno carrega consigo um contexto histórico composto muitas vezes por dificuldades decorrentes da falta de estudo e, acaba recorrendo à escola em procura de melhorias, buscando preencher as necessidades intermediadas pelo estudo. 12 O contexto escolar da EJA, formado por sujeitos advindos de realidades distintas, sobreviventes no mercado de trabalho, alguns possuem família estruturada e assumem responsabilidades que os impedem a uma dedicação total aos estudos. A escola, no entanto, precisa descortinar-se de velhos paradigmas e oportunizar condições possíveis de desenvolvimento além de adquirirem habilidades e aptidões, tornando-se melhor informados sobre os direitos e deveres no exercer da cidadania posteriormente. 

2.5. A EJA COMO PROCESSO DE INCLUSÃO SOCIAL A inclusão como modalidade de ensino adveio com a publicação da Constituição Federal (BRASIL, 2012), oportunizando as pessoas com pouca escolaridade em garantia, obrigatoriedade e gratuidade de acesso ao ensino. A instituição escolar para os alunos dessa etapa é fundamental, sendo nesse percurso que ocorre a inclusão social com oportunidades de auxílio às pessoas a serem incluídas na sociedade, no campo de trabalho e no grupo social. O ensino se torna na atualidade uma condição participativa na sociedade, onde pessoas que não concluíram os estudos enfrentam obstáculos no decorrer da vida, como remuneração salarial, constrangimento por não saberem ler, entre outros, e a EJA representa um canal de inclusão social favorecedora ao desempenho posterior. Os desafios vivenciados pelo sujeito iletrado no decorrer de sua vida favorecem o retorno a escola, tornando-se este um dos caminhos favoráveis da inclusão, entretanto, muitas vezes, os alunos não possuem estímulos e nem tempo para estudarem, além de outros aspectos que dificultam seu desenvolvimento. 

A escola precisa oportunizar a essa clientela recursos favoráveis ao desenvolvimento como cidadãos críticos, atuantes na coletividade, pois, a aprendizagem da leitura e escrita proporciona a inclusão das pessoas na malha social em ascensão a bens culturais e, quando adquirem novos conhecimentos conquistam a autonomia. A urgência da inclusão social na maioria das vezes recai sobre trabalhadores que, assistidos pela EJA, dispõem de pouca ou nenhuma qualificação profissional. Logo, 13 a função do Estado é contemplar uma implantação de políticas públicas e educacionais favoráveis a inclusão, oferecendo um ensino com qualidade a clientela, com oportunidades de acesso ao mercado de trabalho, norteada por uma proposta de ensino estruturada na realidade vivencial, oferecendo uma formação contínua aos docentes em reflexão das práticas estereotipadas ainda existentes nos recintos escolares. 

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pesquisar sobre a EJA oportuniza refletir sobre a qualidade do ensino oferecido na realidade das escolas públicas brasileiras, onde os métodos utilizados exigem do professor ações urgentes e reflexivas sobre a prática pedagógica, atualização constante para atendimento da clientela. Assim, é preciso o professor se tornar um pesquisador contínuo, trabalhar com atividades valorativas estruturadas em conteúdos contextualizados e significativos para os educandos, despertando o interesse em aprender. Em abrangência dos objetivos propostos, o estudo favorece adquirir conhecimentos desde a conjuntura histórica até a identificação do perfil e dificuldades que sujeitos da EJA enfrentam para concluírem o curso básico. Deste modo os objetivos da pesquisa foram alcançados mediante exposição do tema evidenciado com reflexões e diálogos com autores que escreveram sobre a educação na modalidade. A inserção da pedagogia progressista no ensino da EJA favorece a ampliação de um trabalho pedagógico que valoriza o aluno em sua integridade, oportunizando atividades significativas em acesso a conhecimentos científicos, envolvendo-o no ensino-aprendizagem em alcance dos objetivos educacionais. 

Oportuniza ainda o desenvolvimento integral dos alunos estruturado no desempenho de competências, habilidades que facilitarão sua inserção no mundo de trabalho e atuação na sociedade, tornando-o sujeito alfabetizado e letrado. Sugere-se que a escola no contexto atual busque desempenhar sua função com eficiência, oferecendo um ensino qualificado e significativo, valorizando aos alunos 14 da EJA, cujas peculiaridades e realidades vivenciais desafiam na desistência dos estudos antes de terminar o prazo, ou então, não conseguem aprender em tempo hábil. Enfim, atuar na docência em EJA exige do professor uma formação fundamentada em princípios teóricos relacionados a prática, ancorado em relações entre o conteúdo curricular e o aprendiz. 

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARROYO, Miguel Gonzalez. Educação de jovens – adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública. In: SOARES, Leôncio (Org.). Diálogos na educação de jovens e adultos. São Paulo: Autêntica, 2005. Biografia de Engels. Disponível em: . Acesso em: 03.10.2017. Biografia de Marx. Disponível em: . Acesso em: 03.10.2017. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: Texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações adotadas pelas Emendas Constitucionais nos 1/1992 a 68/2011, pelo Decreto Legislativo nº 186/2008 e pelas Emendas Constitucionais de Revisão nos 1 a 6/1994. 35ª Ed. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2012. _____. Decreto nº 97.219 de 14 de dezembro de 1988. Revogado pelo Decreto 99.519 de 11 de setembro de 1990: Institui a Comissão do Programa Nacional de Alfabetização e Cidadania. Disponível em: . Acesso em: 18.08.2017. _____. Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971: Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1° e 2º graus, e dá outras providências. CEDI, 1971. _____. Decreto nº 99.519/90: Institui a comissão do programa nacional de alfabetização e cidadania. In: Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D99519.htm#art7>. Acesso em: 10.09.2017. _____. Lei 10.172, de 09 de janeiro de 2001: Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providencias. PNE/Ministério da Educação, 2001. _____. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. 11ª Ed. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2015. _____. Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996: Estabelece as diretrizes e bases 15 da educação nacional. CEDI, 1996. _____. Parecer CNE/CEB nº 11/2000, aprovado em 10 de maio de 2000: Dispõe sobre as Diretrizes Nacionais para a educação de Jovens e Adultos. CNE/CEB, 2000. _____. Plano Nacional de educação 2014-2024: Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, que aprova o Plano Nacional de Educação (PNE) e dá outras providencias. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2014. _____. Resolução CNE/CEB nº 1, de 5 julho de 2000: Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educaçao de Jovens e Adultos, CNE/CEB, 2000. _____. Resolução nº 3, de 15 de junho de 2010: Institui Diretrizes Operacionais para a Educação de Jovens e Adultos nos aspectos relativos à duração dos cursos e idade mínima para ingresso nos cursos de EJA; idade mínima e certificação nos exames de EJA; e Educação de Jovens e Adultos desenvolvida por meio da Educação a Distância. MEC/CNE/CEB, 2010. Conceito de pedagogia progressista. Disponível em: . Acesso em: 03.10.2017. DI PIERRO, Maria Clara. VÓVIO, Cláudia Lemos. ANDRADE, Eliane Ribeiro. Alfabetização de jovens e adultos no Brasil: lições da prática. Brasília: UNESCO, 2008. FREIRE, Paulo. Conscientização: teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. São Paulo: Cortez & Moraes, 1979. _____. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP, 2000. II CONED: Subsídios às discussões preparatórias do II Congresso Nacional de Educação. Belo Horizonte, MG, 1997. HADDAD, Sergio. Estado da arte da Educação de Jovens e Adultos. 23ª reunião anual da ANPED. Caxambu/MG, 2000. IBGE. Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2007/2015. Disponível em: . Acesso em: 04.10.2017. LOURENÇO FILHO, Manoel Bergstrom. Tendências da educação brasileira. Org. Ruy Lourenço Filho & Carlos Monarcha. Brasília: MEC/Inep, 2002. MARX, Karl; ENGELS, Friedrih. Ideologia Alemã: crítica da mais recente filosofia Alemã em seus representantes, Feuerbch, B. Bauer e Stiner, e do socialismo Alemão em seus diferentes profetas. São Paulo: Bomtempo, 2007. 16 _____. O Manifesto Comunista. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011. SNYDERS, G. Escola, Classes e Luta de Classes. São Paulo, Centauro, 2005. SOARES, Leôncio José Gomes. A educação de jovens e adultos: momentos históricos e desafios atuais. Revista Presença Pedagógica, v. 2, n. 11, Dimensão, set/out, 1996. 

Autores: Creuza Bonono Feliciano1 Denilza Oliveira Costa Ferreira2 Orientador Prof. Omar Carrasco Delgado3 Publicado em: https://multivix.edu.br/wp-content/uploads/2018/12/o-perfil-e-os-desafios-enfrentados-pelos-alunos-da-educacao-de-jovens-e-adultos-eja.pdf 

Palestras Motivacionais / Técnicas e Comportamentais para E . J . A .

Múcio Morais - Palestrante e Escritor 

segunda-feira, 30 de maio de 2022

PROFESSOR AUGUSTO, PEDAGOGIA AUTENTICAMENTE PRÓPRIA - MÚCIO MORAIS

O Professor Augusto era sempre o primeiro e chegar e o último a sair da Escola, visto geralmente com um monte de papeis e pastas nas mãos, tudo desorganizado e caindo pelo chão, os alunos achavam aquilo muito engraçado, ele era querido, pouco disciplinado e nada disciplinador, sua matéria, Geografia era tida na escola como "matéria de segunda classe" muito mais pelo tipo bagunçado do Professor Augusto do que pelo conteúdo da matéria.

Ele, tinha resultados pedagógicos surpreendentes, até mesmo por isso não havia sido jogado para escanteio e para uma escola com menos projeção, a inspetora da regional onde ficava aquela escola já tinha recebido dezenas de solicitações de transferência do Professor Augusto, dificilmente ele se dava com a direção, relatórios cheios de rasuras, diário de classe incrivelmente confuso, notas dos alunos atrasadas, enfim, grande figura humana, estranha figura pedagógica, um verdadeiro E.T das escolas;

Mas, como diz o ditado, agua mole em pedra dura... E finalmente conseguiram a transferência do Prof. Augusto para outra escola, lá ele nem mesmo estaria em sala de aula, arranjaram uma função na Biblioteca, e, ele passou a cuidar dos livros. 

Mas enquanto isso na velha escola...

Uma nuvem de discórdias, irritações, impaciências e outras manifestações de um estado emocional delicado se manifestava e se agravava a cada dia, parecia que alguém jogou uma "mandinga" sobre a escola, chegaram mesmo a convidar um Pai de Santo que também era pai de dois alunos naquela escola, após algumas consultas, logo deu seu diagnóstico: O Problema aqui é uma "Quizumba" da mais braba que já vi, Na Umbanda Quizumba significa feitiço, macumba, trabalho espiritual, mas ele não estava falando desta Quizumba, mas da outra, descrita na língua portuguesa como conflito em que se envolvem numerosas pessoas; confusão. Isso mesmo, a Quizumba estava presente em quase todos os relacionamentos, o ambiente da escola estava pesado, os Professores levavam esta energia negativa aos alunos e estes disseminavam a discórdia por toda a escola, que tribulação, mas como bem diagnosticou o Pai Chicão, também indicou o tratamento e o remédio para dissipar a Quizumba pedagógica; 

Sentado à mesa com as diretoras, coordenação e professores ele fez uma única pergunta, "Senhores, onde está aquele professor engraçado, piadista, que se dava tão bem com as crianças e fazia os professores darem boas risadas? Aquele que fazia abertura das reuniões de Pais e nos emocionava com sua simplicidade e mineres! Sabem de quem estou falando? 

Ressabiados e com sombras enormes de remorso, responderam ao Pai Chicão: SIM, Pai Chicão, o Senhor está falando do Professor Augusto, ele não está mais aqui, agora trabalha em outra escola na Biblioteca. Ele trazia muitos problemas com o jeito dele então resolvemos transferi-lo, estamos bem melhor sem ele, afirmou a diretora. 

Certamente que estão, concordou Pai Chicão, mas só tem um probleminha para espantar a Quizumba de sua escola: Trazê-lo de volta! E ele tem que voltar feliz, reconhecido e com liberdade para ser ele mesmo; quanto às questões organizacionais, se virem e achem um jeito de ajudá-lo, porque o que ele tem, nenhum de vocês tem, chama-se AMOR, autêntico, profundo e espontâneo. E, no caso dele se manifesta no bom humor, na interação com os alunos, no jeito simples de ser, ele ensina com atitudes, ele vai marcar a vida de muitos aqui; tragam-no de volta, faremos uma festa para recebê-lo, isso será o suficiente para desmanchar a Quizumba, eu garanto, SARAVÁ!

No ambiente escolar temos pessoas com diversas missões, há professores que são péssimos para ensinar e são ótimos para motivar, alguns são fracos nas relações com alunos mas tecnicamente perfeitos na didática, outros ainda são responsáveis e sérios mas altamente disciplinadores e impiedosos, a escola tem todo tipo, um dos segredos de um ambiente equilibrado é o respeito e reconhecimento de todas as qualidades ali presentes, mesmo as do Prof. Augusto, que pareciam tão insignificantes, mas, sem elas a escola virou um caos;

Professores, valorizem-se e cuidem uns dos outros, não existe aprendizado que prevaleça sem amor!

Obrigado por minha vida!

Múcio Morais

PALESTRAS MOTIVACIONAIS PARA PROFESSORES.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

FILHOS SEM ASAS NÃO APRENDEM A VOAR - Múcio Morais

Andando pelas escolas de ensino fundamental e médio do Brasil, as públicas e privadas, com pouquíssimas diferenças no comportamento das famílias, percebi uma realidade sutil, perigosa e ilusória: Os Pais enviam filhos sem asas para as escolas e querem que os Professores e os demais profissionais envolvidos na educação, os ensinem a voar!

1. Os pais são a autoridade da casa!

2. Não tenha medo dos seus filhos!

3. Pais são responsáveis pela educação dos filhos!

4. Fale não para os filhos!

5. Crie uma rotina para os filhos!

6. Brinque com seus filhos!

7. Escute o que os filhos tem a dizer!

8. Use apenas a força da voz!

9. Não sobrecarregue as crianças!

10. Dê pequenas responsabilidades aos filhos!

1: Cuide da sua própria comunhão com Deus

2: Não tenha medo em discipliná-los

3: Ensine a liberdade com responsabilidade

4: Aproveite todas as oportunidades para ensinar a seus filhos sobre o amor de Deus

5: Não seja incoerente com eles

6: O valor da obediência

7: Ensine-os a fazer boas escolhas

8: Seja o treinador, mas também o maior torcedor do seu filho

9: A fé para vencer e permanecer

10: O temor a Deus

2. Os valores também são inculcados: Talvez não se trate somente de educar no feminismo, mas de educar com valores sociais, como a justiça e a igualdade de direitos. 

1) Demonstrar nosso carinho

2) Ensiná-los a regular suas emoções

3) Tempo de qualidade e de quantidade

A ideia de que as crianças precisam de tempo de qualidade com seus pais sem que a quantidade importe completamente falsa. Em minha opinião é uma ideia criada para aqueles pais que trabalham muitas horas e dedicam, consequentemente, pouco tempo aos seus filhos não se sintam muito mal por isso. Por isso é completamente falsa. As crianças precisam de muito tempo de convivência com seus pais (quantidade) e com dedicação máxima (qualidade). Não é estar somente no mesmo quarto e lugar que eles, mas com dedicação exclusiva (brincadeiras, tarefas divididas, lição de casa, passatempos, etc.).

O ser humano tem enorme facilidade de transformar desejos (o que quero) em necessidades (o que preciso). Não é nada raro escutar comentários do tipo “preciso me casar para ser feliz”, “é imprescindível que eu consiga viajar à Índia” e “sem meu café da manhã não sou ninguém”. Mesmo que nos custe a acreditar, tudo isso são coisas das quais gozamos, mas não são necessárias à sobrevivência do ser humano. É por isso que é importante que entendamos a diferença entre necessidades e desejos.

Podemos dizer que as necessidades são básicas à sobrevivência de qualquer ser humano. As necessidades estão na base da famosa pirâmide descrita por Abraham Maslow, onde encontramos, além das necessidades fisiológicas como a alimentação, a hidratação e o descanso, as necessidades emocionais e afetivas. Desse tipo de necessidades falaremos com detalhes mais adiante. Por outro lado, os desejos não são necessários à nossa sobrevivência. Podem ser coisas que ansiamos e nos motivam, mas sua consecução não coloca nossa vida em risco. Vejamos um exemplo. Eu posso desejar fervorosamente ganhar a loteria. E mais, posso fantasiar e imaginar o que faria com esse dinheiro. Mas o fato de não ganhar a loteria não significa que minha sobrevivência esteja em risco.

Por outro lado, as necessidades que iremos detalhar a seguir são de fato imprescindíveis a uma boa saúde mental de nossos filhos. A seguir, iremos enumerar as 15 necessidades emocionais e afetivas de toda criança e adolescente (também podemos incluir os adultos, evidentemente). Quanto mais ações você realizar com seus filhos para satisfazê-las no dia a dia, melhor:

1) Demonstrar nosso carinho

Todos os dias devemos dizer a nossos filhos o quanto os amamos, como sentimos sua falta no trabalho e como estamos orgulhosos de como são. Isso é fundamental para uma boa autoestima. Não basta pensá-lo, devemos dizê-lo e agir em consequência disso. Se hoje você não disse a seu filho que o ama, tente fazer com que seja a primeira coisa a dizê-lo quando o vir.

2) Ensiná-los a regular suas emoções

A ideia de que as crianças precisam de tempo de qualidade com seus pais sem que a quantidade importe é falsa

Como uma pessoa se transformou em um grande cirurgião e desempenha tão bem sua profissão? A chave está em ter um grande professor e em muitas horas de dedicação. O mesmo acontece com a regulação emocional. As crianças precisam que seus pais lhes ensinem a identificar e gerir suas emoções. A partir daí tudo vai melhorando em função da experiência. O problema ocorre quando os pais não sabem regular suas próprias emoções. Se eles não sabem, como irão ensinar seus filhos. Dificilmente. Por isso, se você tem alguma dificuldade em gerir suas próprias emoções, procure ajuda antes de ensinar a seu filho. Se queremos que nossos filhos no futuro sejam capazes de autorregular suas emoções, é imprescindível que agora que são pequenos lhes heterorregulemos suas emoções, ou seja, que aprendam a regular suas emoções com nossa ajuda.

3) Tempo de qualidade e de quantidade

A ideia de que as crianças precisam de tempo de qualidade com seus pais sem que a quantidade importe  completamente falsa. Em minha opinião é uma ideia criada para aqueles pais que trabalham muitas horas e dedicam, consequentemente, pouco tempo aos seus filhos não se sintam muito mal por isso. Por isso é completamente falsa. As crianças precisam de muito tempo de convivência com seus pais (quantidade) e com dedicação máxima (qualidade). Não é estar somente no mesmo quarto e lugar que eles, mas com dedicação exclusiva (brincadeiras, tarefas dvididas, lição de casa, passatempos, etc.).

4) Oferecer a eles contextos de segurança e proteção

As crianças precisam de uma estimulação suficiente e adequada. Passado esse mínimo de estimulação, não se conseguem maiores aprendizagens

Esse é o primeiro pilar se queremos fomentar um apego seguro em nossos filhos. Uma criança não pode se sentir segura se nunca foi protegida. A segurança é o contexto a partir do qual virão as próximas características do apego seguro. Proteger nossos filhos quando sentem medo, temor, raiva e tristeza é nossa função. Se alguma vez você não o fez, recomendo que a partir de agora ajude e acalme seu filho sempre que ele experimentar alguma emoção desagradável e que não saiba lidar por si só.

5) Sintonia emocional

É imprescindível que estejamos em sintonia emocional com nossos filhos, ou seja, que atendamos, legitimemos e conectemos com as emoções que estão experimentando. Assim, por exemplo, um pai estará em sintonia emocional com seu filho quando, diante de uma situação concreta, este lhe mostrar seu medo e raiva, e o pai compreender e atender o que se passa com seu filho. Consiste em estar receptivo diante das necessidades da criança. É como conectar por Wi-Fi nosso hemisfério direito, que é  emocional, com seu hemisfério direito. Se não o fez em um número importante de vezes, tente fazê-lo, pois não se conectar com suas emoções e afetos tem repercussões negativas.

6) Responsividade

Quando estabelecemos limites e os explicitamos a nossos filhos estamos dizendo a eles “eu te amo”

A responsividade é a parte que vem na sequência da conexão emocional. Para poder ser responsivo, para não dizer responsável, precisei me conectar emocionalmente com meu filho, se não seria impossível. A responsividade consiste em dar à criança o que ela precisa. Não consiste em realizar seus caprichos, mas em realizar e cobrir suas necessidades. Como dizíamos no começo, as necessidades não são negociadas uma vez que são imprescindíveis à sobrevivência. A mãe ou pai que é responsivo é aquele que dá à criança aquilo que ela realmente precisa. Se diante de uma briga de nosso filho com um amigo ele se mostra preocupado e nós lhe dizemos que não enrole mais e vá fazer a lição de casa que é o que importa, não estamos sendo responsivos porque não estamos atendendo sua necessidade. Costumamos ser responsivos habitualmente com nossos filhos? Dedique alguns segundos pensando sobre isso.

7) Assumir o papel que nos corresponde como pais

Os pais não são amigos de seus filhos. Também não somos seus criados, mas às vezes pode parecer. Somos seus pais, e devemos assumir o papel que isso significa. Estamos realmente exercendo o papel de pais ou às vezes nos comportamos como colegas de nossos filhos?

8) Estabelecer limites claros

Uma das obrigações dos pais é implantar uma série de normas e limites no contexto familiar. Nossos filhos precisam de regras. É algo tão necessário como saudável. Imaginam uma cidade sem semáforos e sem placas de trânsito? Não seria um verdadeiro caos? Acontece a mesma coisa com as crianças. Precisam saber até onde podem chegar e qual é seu perímetro de segurança. Quando estabelecemos limites e explicitamos aos nossos filhos estamos lhes dizendo “te amo”. Coloco limites porque te amo e me importo com você. Refletiram sobre a quantidade de limites que existem em sua família? São muitos, poucos ou inexistentes? É recomendável pensar sobre isso.

9) Respeitar, aceitar e valorizar

Quando respeitamos, aceitamos nossos filhos como são e os avaliamos positivamente, estamos olhando incondicionalmente para eles. Demonstramos que nosso amor para com eles é incondicional, ou seja, não depende de nada. Amamos os filhos por quem eles são e não pelo que fazem e deixam de fazer. Estamos olhando nossos filhos incondicionalmente ou nosso amor para com eles depende de algo (resultados acadêmicos, comportamento, atitude, etc.)?

10) Estimulação suficiente e adequada

Há alguns anos, ficou em moda a hiperestimulação das crianças. Levávamos os jovens de um lugar a outro para “espremê-los” ao máximo cognitivamente falando. Precisávamos aproveitar o tempo e a plasticidade cerebral antes que essas janelas se fechassem. Hoje em dia sabemos que as crianças precisam de uma estimulação suficiente e adequada. Passado esse mínimo de estimulação, não se conseguem maiores aprendizagens, mas exatamente o contrário: exigências, estresse e hiperestimulação. O slogan que diz que quanto antes e mais estimularmos nossos filhos, melhor, é falso. Os pais devem repensar como enfocar, por exemplo, as atividades extraescolares de nossos filhos? Certamente sim.

11) Favorecer sua autonomia

Dizíamos antes que a primeira característica do apego seguro era a proteção. Pois bem, a outra face da moeda da proteção e segurança consiste em favorecer a autonomia, o que é a mesma coisa, favorecer sua curiosidade e seu espírito aventureiro e explorador. Viemos a esse mundo com a emoção da curiosidade no kit de sobrevivência, o que nos faz ter muita vontade de aprender coisas novas. É de vital importância, não só que achemos bom que nossos filhos sejam curiosos, mas que os convidemos a fazê-lo.

12) Sentido de pertencimento

Para o ser humano e para muitos outros mamíferos é de vital importância sentir-se parte de um grupo. Já viram nos documentários de quais são os lugares que os filhotes mais jovens ocupam? Geralmente costumam ir no centro, ou seja, no lugar de maior segurança e proteção. Daí vem a importância do grupo e da manada. O fato de nos sentir parte de um grupo ou de vários aumenta as probabilidades de sobrevivência. Uma das características que as crianças que sofrem assédio escolar costumam ter é não pertencer a nenhum grupo. É muito importante que nossos filhos pertençam, no mínimo, de um grupo, senão de mais. Estamos fazendo um bom trabalho como pais para favorecer o âmbito social de nossos filhos? Esse âmbito é tão importante quanto o acadêmico, não? Se concordamos, dou como certo que nunca castigamos os resultados acadêmicos ruins com não sair com os amigos e ir aos jogos de futebol, não?

13) Favorecer a capacidade reflexiva da criança

A capacidade reflexiva se refere a pensar sobre o que nos acontece, como estamos fazendo, como nos sentimos, nossa evolução e progressos, etc. É importante que ajudemos nossos filhos a aprender a pensar sobre as emoções que sentem, o que pensam, como se comportam, etc. Também é um trabalho muito interessante para nós como adultos.

14) Identidade

Ao longo dos primeiros meses e anos de vida, ocorre um processo de diferenciação entre o bebê/criança e a mãe, já que no começo o pequeno não o faz. Com o passar do tempo devemos favorecer nas crianças essa identidade própria que nos diferencia do restante das pessoas.

15) Magia

A magia é um dos mecanismos de defesa mais fortes que as crianças têm. Os adultos costumam chamar de autoengano. Tudo o que tem a ver com a magia, o oculto, o divino e o fantasioso é algo que cativa todas as crianças. O que um mistério significa é algo que “encanta” as crianças. Aprendemos a utilizar e a colocar do nosso lado a magia e a fantasia.

Não é minha intenção fazer com que algum pai ou mãe se sinta mal. Exatamente o contrário. Espero que essas 15 necessidades básicas sirvam para que vocês vejam o que nossos filhos realmente precisam. Espero que sirva para refletir sobre o ponto em que estamos e de que forma estamos assumindo o papel de pais. Com certeza estamos desempenhando-o bem, mas um pouco de reflexão não é má ideia.

Rafael Guerrero Tomás é diretor do Darwin Psicólogos, especialista em transtorno por Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), transtornos da aprendizagem e transtornos de conduta, e doutor em Educação

LEVE ESTA PALESTRA PARA SUA ESCOLA - fonezap: 031 99389-7951 - contato@muciomorais.com 

CAPACITAR SEM FORMAR HUMANAMENTE É PERDA DE TEMPO - Múcio Morais

Por muitos anos venho trabalhando na formação de profissionais da educação, com diversos cursos, processos e tecnologias educacionais, trazendo e criando elos entre o que se descobre nas ciências humanas e os processos educacionais, a descoberta de novos modelos de ensino tem deixado estes profissionais entusiasmados e motivados para a missão de ensinar e formar pessoas; Mas percebo ao longo dos anos que estas tecnologias e processos se perdem e em muitos casos os profissionais não estão em condições intelectuais, emocionais e mesmo “morais” para aplicação destes e outros aprendizados.

O que quero dizer com isso? Que as capacitações técnicas são inúteis? SIM, exatamente,
em muitos e muitos casos, percebo os seguintes grupos entre os Professores, Coordenadores, e Gestores:

OS INTERESSADOS: Aqueles profissionais que gostam de aprender, curiosos, instigam positivamente o grupo, inquietos, são criativos e suas aulas não caem na mesmice, podem até ter limites intelectuais, mas se viram, querem fazer bem feito, tem orgulho do que fazem e estão moralmente prontos para receber novos conhecimento e aplica-los, eles acham propósito no que aprendem e estão sempre ansiosos para ver os resultados, já saem da formação com planejamento e direcionamento prontos. As personalidades deste grupo são bem variadas, desde o animado e histérico até o reflexivo e sério.

OS INDIFERENTRES: Aqueles profissionais que não entendem e nem desejam crescimento, apenas estão presentes, assinam a chamada e seguem em frente, acham parte do que foi ensinado absurdo ou de difícil aplicação, demostram uma certa empáfia com o(s) Instrutor(s) e Palestrante(s); São mornos e de pouca iniciativa, perderam a missão, a visão e o propósito, estão cansados, enfarados, enjoados.

OS AGRUPADOS: Aqueles que participam das capacitações em “grupinhos” geralmente tem um influenciador que distrai os demais do conteúdo e do “espírito do conteúdo” dificilmente irão discutir a aplicação das metodologias após o evento, salvo em alguma reunia pedagógica onde forem inquiridos; O entendimento dos propósitos de novos conhecimentos só será aceito se atender alguma dificuldade específica do grupo;

OS INSOLENTES: Revoltados com algum procedimento da Secretaria de Educação, se colocam nas formações como sindicatos, instigam, menosprezam, e, tendo oportunidade tentam demonstrar a insignificância da formação diante do “grande dilema” que estão vivendo, mas quem disse que a educação terão em qualquer tempo um momento sequer sem dilemas? Profissionais assim são apenas “funcionários” não entendem o sentido moral da missão de educar, demonstram insatisfação e despropósito diante do público mais sensível, os alunos.

OS FESTEIROS: Confesso que gosto muito deste grupo, são superficiais, se gabam de seus defeitos, influenciáveis, carismáticos e animados. Sem este grupo nenhuma capacitação será um sucesso total, se bem controlados pelos Instrutores e Palestrantes, fazem a festa, trazem animação e alegria, associam processos e métodos a situações corriqueiras, têm presença de espírito e com algum esforça podem reter e praticar o que aprenderam, alguns demonstram visão do que fazem outros fazem somente porque gostam, mas emoção positiva não falta, sabendo utilizá-los, a educação só tem a ganhar.

Estes grupos não se manifestam somente nos eventos de formação, eles já existem e apenas se agregam, mas o que importa é o nível de aproveitamento que as formações terão, qual o impacto de um novo conhecimento ou uma nova tecnologia de ensino? Temo que nesse ponto tenhamos uma perda enorme, não sei estimar, mas me arriscaria em mais de 50% de perda, sim, nem metade do que foi ensinado é transferido aos alunos. Isso me parece óbvio ao constatar a inércia ou evoluções mínimas e pontuais na aprendizagem.

ONDE ESTÁ O PROBLEMA?

Posso oferecer com base em minha experiência de outros colegas com os quais partilho conhecimento, algumas constatações para responder a esta  questão;

1.      A baixa formação ética e moral de nossos profissionais de educação, entendamos que sem ver propósito no que se coloca diante de alguém, dificilmente esta pessoa irá aprender e processar a prática. Falta entendimento da missão “educar” falta nobreza (que, a despeito de todos os riscos e perigos, age ou pensa desinteressadamente com vistas a servir alguém ou a encarnar um ideal;) A ausência deste valor transforma Professores em empregados e a escola vira somente o quintal de casa.

2.  Os baixos padrões de espiritualidade e entendimento dos processos de vida; (quem não transcende ao que pode ver, não pode ensinar o que não vê, Múcio Morais.).

3.   A incapacidade de lidar com o autoconhecimento e buscar desenvolvimento; (Chega um tempo em que precisamos conhecer melhor o nosso outro lado, o de dentro. É lá que repousam nossas verdades, Simone Marçal.).

4.  A desordem e incapacidade de administrar e manter a própria vida em   equilíbrio; (Eu descobri que sempre tenho escolhas. E muitas vezes, trata-se   apenas de uma atitude.).

5.     A falta de padrões emocionais para lidar com as diversas situações da vida;

6.    A ausência de crenças e valores sólidos; A relatividade baseada em interesse; A moral consiste em fazer prevalecer os instintos simpáticos sobre os impulsos egoístas.

Auguste Comte

7.      Falta de foco e como resultado a falta de excelência;

8.    A falta de revisão nas motivações originais para a escolha do trabalho com a educação;

9.     A manifestação de problemas mentais e emocionais sem a devida atenção;

10.   A falta de prática de desenvolvimento pessoal;

Nesta avaliação básica percebe-se claramente que a questão da conscientização para o desenvolvimento humano norteia todo o processo, entendamos algo de suma importância, formar tecnicamente é simples, basta insistir, monitorar, praticar, mas formar humanamente é muito mais desafiador. Não adianta formar tecnicamente se não existe combustível moral, espiritual e intelectual para que exista congruência na prática docente em todos os seus aspectos dentro de fora de sala de aula. Formar sem preparar humanamente é investimento prejudicado, sem preparar devidamente a forma colocando a massa precipitadamente o bolo vai agarrar ao funcho e queimar, é assim que percebo o processo de desenvolvimento da equipe de educação.

Minha atuação é humana basicamente, embora tenhamos formações voltadas para a neuroeducação, passo seguinte à preparação humana, sugiro um programa de desenvolvimento pessoal, um trabalho na mudança de visão e comportamento, este processo deve ter uma duração razoável, não basta uma palestra um uma formação de poucas horas, é necessário tempo e acompanhamento.

Este processo trará propósito às atualizações e formações técnico-pedagógicas, fazendo com que sejam incorporadas e aplicadas com coração e método.

Outra sugestão é que esse programa seja estendido aos Pais e alunos, uma ação abrangente e direcionada a formação geral de uma sociedade melhor.

Grande Abraço,

Múcio Morais

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